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O sociólogo italiano Giuliano da Empoli viajou ao Brasil pela primeira vez no verão europeu de 2001, por razões do coração. Embarcou atrás de sua então namorada italiana. A relação amorosa não vingou, mas o país lhe deu uma singular inspiração intelectual. Em oposição aos que dizem que o mundo se americaniza, o jovem pensador, 34 anos, conselheiro do ministro da Cultura italiano, apresenta uma outra tese: as sociedades modernas vivem um processo de "brasilização". Para ele, o Brasil é um "espelho alegórico" do mundo contemporâneo.
Giuliano da Empoli deverá desembarcar agora no final do mês de maio no Brasil para promover o lançamento de seu livro Hedonismo e medo: nosso futuro brasileiro (ed. Sulina). Está prevista uma conferência do autor na ESPM, em São Paulo. Recentemente, ele esteve em Paris como principal convidado de um debate sobre o tema da "brasilização" do mundo, nos encontros promovidos pelo filósofo Michel Maffesoli. Na manhã seguinte ao evento, conversamos longamente sentados à mesa no Café de Flore, no bairro Saint-Germain des Près, em uma entrevista feita para a revista ÉPOCA (n° 464/abril).
Giuliano da Empoli sustenta que no Brasil convivem desde há muito tempo dois pólos que emergem em outros países: o Carnavalesco e o trágico. Segundo ele, a experiência brasileira do hedonismo e da tragédia se repete em diferentes nuanças em outros sociedades do planeta, nos mais diferentes domínios, do político ao cultural, do religioso ao social. Ele critica os que se apegam ao um racionalismo exagerado e ultrapassado, priorizam a peste e o medo e ignoram a orgia, a celebração e o supérfluo. Os dois pólos, diz, se atraem e se reforçam, e quem quiser entender os tempos modernos terá de estar atento ao que ocorre no Brasil. O mundo começa a dançar no ritmo do samba, diz Giuliano da Empoli. Para o melhor e para o pior.
criado por giselerosumek
09:47:49